Mutirão de oftalmologia

Por Maria Lúcia Zanelli

 

As amigas Valquíria Silva e Maria Marta Santos, moradoras de Diadema, esperavam ansiosamente pelo atendimento com o oftalmologista. Elas fazem parte de um grupo de 435 pessoas que participaram do Mutirão de oftalmologia da Cruz Vermelha de São Paulo, realizado nos dias 29 e 30 de agosto, na sede da entidade na capital paulista. O Mutirão de oftalmologia contou com a parceria da ONG Provisa e Rotary Club e com 50 voluntários.

Durante dois dias, oito médicos, quatro em cada dia do mutirão, realizaram testes oftalmológicos. Além disso, antes do atendimento foram realizados testes de glicemia e aferição de pressão arterial. Dona Valquíria, 60, e Dona Marta, 75, precisaram aguardar até que a glicemia estivesse ‘praticamente’ normal. “Somos diabéticas e utilizamos insulina. Saímos depressa de casa e esquecemos de aplicar o remédio.” De acordo com a médica Lisa Pasques, oftalmologista voluntária do mutirão, os exames prévios realizados antes da consulta oftalmológica são importantíssimos. “Com a pressão alta e com o diabetes descompensado, os exames oculares saem alterados e o paciente sai prejudicado. Com as medidas preventivas, ganha o paciente e o médico.”

Receita na mão

Após a consulta com o oftalmologista, os pacientes foram encaminhados para a Ótica Social. “Os óculos saem pela metade do preço do que em óticas normais. No caso de pacientes com renda mínima, os óculos saem gratuitamente”, explica Maria de Lourdes de Oliveira, gestora da Provisa. Antonio Carlos Oliveira, 41, morador da capital paulista, resolveu trocar os óculos ali mesmo. “Moro longe, no Grajaú, e as óticas por lá estão cobrando caro demais. Resolvi comprar aqui mesmo e o melhor é que daqui a 15 dias, eu venho buscá-los aqui”, comemora.

No caso de necessidade de cirurgia, como casos de catarata, o paciente é encaminhado para as unidades cirúrgicas que a Provisa mantém em sua rede. É o caso do seu Adriano de Azevedo, 73. Com problema de entropia (quando a pálpebra se vira para o interior e os cílios começam a afetar os olhos), ele foi encaminhado para cirurgia plástica. A enteada, Fabiana da Silva, também aproveitou a consulta e tirou todas as dúvidas que tinha com a doutora Isa. “Esses mutirões são fantásticos. Sempre que posso passo por eles”, diz a Técnica em Enfermagem. “Também, tenho que participar dessas ações, já que me formei na escola técnica da Cruz Vermelha, aqui na capital. O serviço é show”, comemora.

O estudante Rodrigo Benício, 17, resolveu passar pela consulta. “Trabalho no Hospital dos Defeitos da Face e soube pelas redes sociais do Mutirão de oftalmologia. Como trabalho e estudo, utilizo demais o computador, comecei a sentir dificuldade na leitura. De acordo com o oftalmologista voluntário, Pablo Lopes, “é comum este caso nas pessoas mais jovens. No caso de idosos, o que vemos mais neste tipo de mutirão são casos de catarata, o que acarreta sempre uma cirurgia. A importância destes mutirões é que eles atingem grande parte da população que, na sua maioria, não consegue ser atendida pela rede pública”, finaliza.

Mutirões

Neste ano, a Cruz Vermelha de São Paulo já realizou dois mutirões de especialidades. O primeiro, dermatológico, foi realizado em três dias, 25, 26 e 27 de julho, e atendeu mais de duas mil pessoas, contando com a parceria do Instituto Superior de Medicina (ISMD). O segundo mutirão foi o oftalmológico. De acordo com Aline Rosa, Gerente de Projetos Sociais da Cruz Vermelha de São Paulo, as pessoas são avisadas dos mutirões por e-mail, matérias em jornais ou pelas redes sociais.