Hospital da Cruz Vermelha, 50

Jorge Wolney Atalla Jr.

O aniversário de 50 anos é o momento ideal para se pensar no futuro e planejar os próximos 50. Na Cruz Vermelha Brasileira de São Paulo, pelo menos, é assim. Nosso hospital, antes denominado Hospital dos Defeitos da Face, completa 50 anos neste 13 de dezembro, bem no momento em que estamos concluindo projeto que eternizará nossa entidade.

As assistências médica e social estão no DNA da Cruz Vermelha Brasileira de São Paulo desde sua fundação, em 1912, pelas mãos da médica belga Maria Renotte. A filial de São Paulo foi a primeira da Cruz Vermelha Brasileira, fundada em 1908 e que teve como primeiro presidente o famoso sanitarista Osvaldo Cruz.

Foi Maria Renotte também quem fez a campanha popular de arrecadação de recursos para a construção do Hospital da Criança, inaugurado em 1917 em terreno da própria Cruz Vermelha, em Indianópolis (zona sul de São Paulo), e que funcionou até a década de 1980. Ela ainda criou a Escola Prática de Enfermeiras, que teve papel de destaque no preparo de voluntários durante as duas grandes guerras mundiais e na Revolução Constitucionalista. Foi aí que surgiu o Centro Formador da Cruz Vermelha, em funcionamento até hoje na Vila Mariana.

Foram cerca de 50 anos entre a criação do Hospital da Criança e a inauguração do Hospital dos Defeitos da Face. O mundo mudou muito nesse período, e mudou ainda nestes últimos 50 anos. Meu saudoso pai, Jorge Wolney Atalla, e seu fraterno amigo Antônio Ermírio de Moraes, que por décadas se dedicaram a manter viva e ativa a Cruz Vermelha Brasileira de São Paulo, vinham percebendo as mudanças e sabiam que precisávamos nos adaptar a esses novos tempos. Talvez eles tenham percebido isso, mais do que nunca, em 1989, quando venceu a concessão do imóvel e eles decidiram que a entidade deveria assumir a gestão do Hospital dos Defeitos da Face, rebatizado para Hospital da Cruz Vermelha.

É esse hospital que, junto com o Centro Formador, financia a Cruz Vermelha em São Paulo, que atende cerca de 100 mil pessoas por ano com ações que vão desde a distribuição de alimentos, agasalhos e fraldas descartáveis até atendimentos oftalmológicos e dermatológicos gratuitos, em mutirões que fazemos ao longo do ano.

Isso sem contar nossa atuação nas emergências e calamidades, como incêndios (principalmente em comunidades carentes), enchentes e desastres naturais. Estamos em fase final de preparação de um acordo que vai permitir que essas atividades todas sejam perenizadas. Recursos privados poderão financiar o hospital, o centro formador e, principalmente, nosso voluntariado. Nosso hospital, modernizado e ampliado, poderá ampliar o atendimento à população mais carente, o que é impossível com os recursos disponíveis hoje. Poderemos multiplicar o número de pessoas atendidas, aliviando o caixa dos governos e podendo chegar, inclusive, a uma parte da população que hoje sequer é alcançada pelos braços do Estado.

O Hospital da Cruz Vermelha é hoje um “cidadão” maduro de 50 anos que pode, como poucos, planejar o seu próprio futuro e o futuro de seus “filhos”.

Jorge Wolney Atalla Jr., 47, economista, preside a Cruz Vermelha Brasileira de São Paulo.