Cruz Vermelha realiza o primeiro Novembro Azul Inclusivo

Mil pessoas participaram de evento voltado à prevenção do câncer de próstata. Público LGBT também foi impactado.

No dia mundial do combate ao câncer de próstata, celebrado na quinta-feira, 17 de novembro, a Cruz Vermelha de São Paulo realizou um evento com os alunos do Centro Formador para alertar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença.

A ação, no entanto, teve como alvo o esclarecimento também do público LGBT, em particular de travestis e mulheres transexuais, que precisam fazer a prevenção, mas que não se sentem impactadas pelas campanhas tradicionais do Novembro Azul, geralmente dirigidas ao homem heterossexual.

“A Cruz Vermelha tem entre seus princípios a neutralidade e a imparcialidade e esse evento nasce sob o propósito de não excluir, mas de incluir todos os grupos que precisam receber essa orientação de saúde, independente da condição ou do gênero, sem julgamentos”, explicou Luciana Mateus, diretora do Centro Formador da Cruz Vermelha.

Mais de 1000 pessoas participaram da ação que contou com 12 horas de programação, entre palestras informativas e rodas de discussão sobre o preconceito existente quando o assunto é exame de próstata - tanto no universo masculino, quanto entre o público “T” (formado por travestis e transexuais). A população também pôde realizar gratuitamente um teste rápido para detecção do vírus HIV, por conta da parceria firmada pela Cruz Vermelha com o Centro de Cidadania LGBT de Santo Amaro e o Programa Municipal de DST/Aids da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Ao longo do dia, foram realizados cerca de 100 testes.

Formação qualificada e humanizada
Os alunos do curso de enfermagem contaram com programação específica no Novembro Azul Inclusivo, voltada à orientação profissional. Um dos pontos abordados foi o acolhimento humanizado no atendimento de grupos LGBT. “A humanização precisa muitas vezes atingir a família que não sabe, por exemplo, como lidar com o fato de ter um filho travesti ou transexual. Tratar a família é um diferencial do cuidado humanizado”, orientou a professora Fátima Aparecida.

Os alunos ouviram ainda sobre as garantias no atendimento de saúde deste público, como o uso do nome social e a indicação de condutas específicas, como o exame de próstata para mulheres trans e o atendimento ginecológico para homens trans. Segundo Paula Legno, que é transexual e articuladora social do Centro de Cidadania LGBT de Santo Amaro, a população trans não procura o serviço de saúde por conta da falta de informação e de educação, no sentido de não conhecer os seus direitos, além do medo de sofrer preconceito e retaliação.

Paula parabenizou a Cruz Vermelha pela iniciativa. “A ação de hoje é muito importante porque mostra para este público que a Saúde está preocupada em dar um cuidado especial para a população LGBT”, disse. “Nosso objetivo é formar profissionais de uma maneira ética, responsável e sem preconceitos, que ofereçam um atendimento integral, humanizado e igualitário, segundo os princípios dos SUS (Sistema Único de Saúde) e da Cruz Vermelha”, concluiu a diretora do Centro Formador, Luciana Mateus.